Trump ameaça usar lei anti-insurreição para enviar tropas a cidades dos EUA
Presidente dos EUA desafia autoridades locais e enfrenta batalhas judiciais enquanto tropas da Guarda Nacional se deslocam para Chicago e Portland
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua disputa com cidades governadas por democratas ao ameaçar invocar a Lei da Insurreição, um dispositivo federal com mais de dois séculos, para expandir o envio de tropas da Guarda Nacional às ruas de cidades como Chicago e Portland.
Trump afirmou nesta segunda-feira (6) que poderá usar a lei para contornar decisões judiciais que restrinjam suas ordens, alegando necessidade de ação diante da violência, mesmo que as autoridades locais e estaduais se oponham.
“Temos uma Lei de Insurreição por um motivo. Se as pessoas estiverem sendo mortas e os tribunais estiverem nos impedindo, ou os governadores ou prefeitos estiverem nos impedindo, com certeza, eu farei isso”, disse Trump.
A lei concede ao presidente autoridade para mobilizar as Forças Armadas para conter distúrbios em situações de emergência, mas seu uso é raro e quase sempre solicitado pelos governadores. O último caso foi em 1992, durante os distúrbios em Los Angeles, sob o governo de George H.W. Bush.
Na prática, Trump ordenou o envio de 300 soldados da Guarda de Illinois e 400 do Texas para Chicago, apesar da oposição do governador J.B. Pritzker e do prefeito da cidade, que acusam o presidente de usar os militares como “peões políticos” para justificar a militarização urbana. Autoridades locais afirmam que os protestos recentes foram em sua maioria pacíficos e que os índices de crimes violentos caíram neste ano.
Enquanto isso, no Oregon, um juiz federal bloqueou temporariamente o envio de tropas para Portland, a maior cidade do estado, em meio a confrontos recentes entre manifestantes e agentes federais, incluindo uso de gás lacrimogêneo.
Durante uma audiência em Chicago, o Departamento de Justiça informou que centenas de soldados da Guarda do Texas já estavam a caminho de Illinois. A juíza April Perry permitiu que o envio prosseguisse por enquanto, mas exigiu resposta oficial do governo até quarta-feira (8).
Especialistas e autoridades locais alertam que a ação poderia representar uma escalada sem precedentes no uso de militares contra cidades americanas, em plena tensão política e social.
Reportagem adicional de Dietrich Knauth e Brad Brooks