Unesco registra 189 jornalistas mortos em dois anos e aponta maior nível de violência em uma década
Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) revelou que 189 jornalistas foram assassinados em todo o mundo entre 2024 e 2025. O número representa o maior patamar registrado pela entidade em uma década.
De acordo com o documento, o total de mortes é o mais elevado desde o biênio 2014/2015, quando foram contabilizados 215 assassinatos de profissionais da imprensa.
O Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade mostra que a maioria dos casos ocorreu em áreas de conflito. Dos 189 profissionais mortos, 127 perderam a vida em países afetados por guerras ou confrontos armados, o equivalente a 67% do total. Entre essas mortes, 50 foram provocadas por ataques com drones.
A Unesco também identificou que 36 jornalistas morreram em ataques a redações, escritórios de imprensa ou instalações que abrigavam veículos de comunicação. Em pelo menos 15 ocorrências, havia indícios de que os profissionais estavam devidamente identificados como integrantes da imprensa, utilizando coletes ou veículos sinalizados.
Cobertura de conflitos lidera estatísticas
Segundo o levantamento, 104 jornalistas morreram enquanto cobriam conflitos armados. Outros 38 foram assassinados durante a cobertura de temas políticos, enquanto 22 trabalhavam em reportagens relacionadas à criminalidade. Casos ligados à investigação de corrupção também aparecem entre os registros.
Entre as vítimas, cinco tinham entre 15 e 24 anos e outras 20 estavam na faixa de 25 a 29 anos. O relatório aponta ainda que 14 mulheres jornalistas foram mortas no período, o equivalente a 7% do total de vítimas.
Palestina lidera registros
A Palestina concentrou o maior número de mortes de jornalistas no biênio, com 62 casos, aproximadamente um terço do total contabilizado pela Unesco.
No Brasil, o relatório registra uma morte no período analisado. Trata-se do jornalista Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, assassinado em maio de 2025 dentro do estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará.
Segundo a Polícia Civil do Pará, o inquérito foi concluído e enviado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas pelo crime.
Mortes aumentam 24%
O relatório mostra ainda que 62 jornalistas foram mortos em países fora de zonas de conflito, o menor número registrado nos últimos 18 anos para esse tipo de cenário.
Entre esses casos, 17 profissionais foram assassinados em seus locais de trabalho, 33 dentro de veículos e 20 em suas residências. O documento também registra quatro mortes em ataques terroristas e sete durante manifestações.
Na comparação com o biênio 2022/2023, a violência contra jornalistas aumentou 24%, reforçando o alerta da Unesco sobre os riscos enfrentados pelos profissionais da imprensa em diferentes partes do mundo.