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Redação 20 de Maio, 2026
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Aliados de Lula acionam TSE para barrar filme sobre Bolsonaro antes das eleições

Política
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Redação 20 de Maio, 2026

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (19) para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento de Dark Horse”, filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação também solicita a suspensão do lançamento do longa até o fim das eleições presidenciais.

De acordo com o blog da Malu Gaspar, do O Globo, o pedido foi apresentado pelo grupo Prerrogativas e pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). A produção tem estreia prevista para setembro, a cerca de um mês do pleito, e recebeu investimento de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na representação, os autores afirmam que a obra pode funcionar como instrumento de comunicação política com potencial impacto eleitoral, além de apontarem suspeitas relacionadas ao financiamento do projeto. O documento cita possíveis indícios de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, caixa dois, doação empresarial indireta e lavagem de dinheiro.

A movimentação ocorre após reportagens apontarem que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria pressionado Vorcaro a financiar o projeto. Segundo informações divulgadas, os recursos teriam passado pela conta de um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, que atuou como produtor-executivo do longa.

Na ação, os autores argumentam que a proximidade entre o lançamento e o calendário eleitoral amplia o risco de o filme se transformar em peça de campanha, impulsionada por trailers, plataformas digitais, redes sociais, entrevistas e ações promocionais.

Os advogados também pediram que o TSE envie informações sobre o caso à Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central, Ministério da Justiça e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), para apuração de possíveis irregularidades.

Para sustentar o pedido, a representação faz referência a uma decisão do próprio TSE nas eleições de 2022, quando a Corte suspendeu a divulgação do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela Brasil Paralelo. Na época, o material foi barrado durante o período eleitoral e acabou lançado apenas após a disputa presidencial.

Apesar da comparação, há diferenças entre os dois casos. Em 2022, Bolsonaro era candidato à reeleição e figurava como personagem central do documentário. Já “Dark Horse” tem como protagonista o ator Jim Caviezel interpretando o ex-presidente, enquanto Flávio Bolsonaro aparece representado pelo ator Marcus Ornellas, ainda sem espaço definido no longa-metragem.

A discussão agora chega à Justiça Eleitoral em meio a mudanças recentes na composição do TSE, cenário que, segundo aliados de Flávio, pode influenciar a análise do caso.