Bolsonaro nega tratar de “minuta do golpe” com ex-assesor e diz: “sempre tive o lado da Constituição”
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, nesta terça-feira (10), ter discutido qualquer “minuta de golpe” durante reunião com o ex-assessor Felipe Martins, ao prestar depoimento à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante o interrogatório, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, Bolsonaro foi questionado sobre um encontro com o ex-assessor no qual teria sido apresentada uma minuta de decreto com base no artigo 142 da Constituição.
“O senhor se reuniu com o seu ex-assessor Filipe Martins, com um advogado que foi levar estudo sobre o artigo 142 e uma minuta de decreto, considerando-os uma minuta que previa a quebra da normalidade democrática?”, questionou Moraes.
Bolsonaro respondeu negando qualquer discussão sobre o documento. “Para tratar de minuta, não. Ele [Filipe Martins] não é uma pessoa adequada para tratar de minuta, seja qual for”, disse o ex-presidente.
Em seguida, rebateu a narrativa de que o encontro teria caráter conspiratório: “Se bem que eu digo uma coisa, né? Quando se fala em minuta, dá a entender que é uma minuta do mal, da nossa parte, tá? Quando se fala em minuta do mal, conspiração, eu sempre tive o lado da Constituição. Então eu refuto qualquer possibilidade de falar em minuta de golpe ou uma minuta que não esteja enquadrada dentro da Constituição Brasileira”, disse Bolsonaro.
Ainda segundo o ex-presidente, o encontro teria sido informal. “Foi bater um papo lá apenas. Teve um padre presente também, não lembro o nome dele. Era comum o padre, pastores, iam orar lá na Alvorada e eu atendia todo mundo”, afirmou.