Caiado diz que vai cortar gastos do governo e critica Lula durante entrevista à Globo
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira (25), em entrevista à Globo, que pretende promover um amplo corte de gastos no governo federal caso seja eleito. Entre as medidas apresentadas, está uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para limitar o crescimento das despesas à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Caiado disse que a PEC seria encaminhada ao Congresso já no primeiro dia de um eventual governo. Ele também defendeu uma reforma administrativa para reduzir despesas em diferentes áreas da administração pública e combater o que considera excessos, incluindo salários elevados e desvios relacionados a emendas parlamentares. O candidato classificou o atual arcabouço fiscal como uma “grande farsa”.
Ao ser questionado sobre os critérios para definir os cortes, Caiado pediu cautela e comparou a situação fiscal do país à de um paciente que precisa ser examinado antes da definição do tratamento. “Um paciente foi atropelado por um ônibus. Quais são os pontos que você vai priorizar? Poxa, eu nem examinei o paciente. Calma”, afirmou.
Críticas a Lula e pedido para abrir sigilos
No fim da entrevista, Caiado fez um apelo ao STF para que sejam abertos sigilos relacionados às investigações sobre fraudes no INSS, ao caso Master e à Operação Carbono Oculto. Para ele, a divulgação das informações permitiria aos eleitores conhecer eventuais envolvimentos de candidatos em crimes antes das eleições.
“Eu pediria que eles refletissem bem e abrissem o sigilo do INSS, do caso Master, e juntassem a ele também toda essa parte do Carbono Oculto, para que nós não fôssemos amanhã enganados [por] pessoas envolvidas em graves crimes e que amanhã pudessem ser eleitas”, afirmou.
Caiado afirmou que as investigações citadas poderiam ter repercussões sobre candidaturas como as de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Polícia transnacional contra o tráfico
Na área de segurança pública, o candidato voltou a defender a criação de uma polícia transnacional entre países da América Latina. A proposta prevê o compartilhamento de informações de inteligência e a possibilidade de atuação conjunta contra organizações criminosas.
Caiado afirmou que a iniciativa poderia ser construída com governos que, segundo sua avaliação, atualmente possuem posições de centro-direita. Ele citou Argentina e Colômbia como exemplos e afirmou que o Brasil se tornou o “maior hub de narcotráfico”, com atuação de facções brasileiras, colombianas e mexicanas.
Segundo o candidato, uma polícia conjunta poderia realizar prisões nos países participantes e posteriormente entregar os detidos às autoridades locais. Ele também afirmou que o avanço do crime organizado representa uma ameaça à economia brasileira e às exportações.
Salário mínimo e Previdência
Questionado sobre o salário mínimo, Caiado afirmou que pretende manter a regra atual de reajuste, que considera a inflação e o crescimento da economia. Ele defendeu que eventuais cortes sejam concentrados em despesas que considera excessivas no poder público.
“O pobre coitado pegando um salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus. Vamos dar o exemplo que um presidente precisa de dar. Vamos cortar na própria carne. Vamos para cima desses salários abusivos”, disse.
Sobre a Previdência Social, o candidato não apresentou detalhes sobre possíveis mudanças. Caiado afirmou que pretende reunir especialistas para elaborar propostas e evitou estabelecer, neste momento, parâmetros sobre idade mínima para aposentadoria.
Reforma tributária e endividamento
Caiado também criticou a reforma tributária aprovada durante o governo Lula e afirmou que pretende rever o texto. Ele questionou a carga tributária prevista com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do imposto seletivo.
“O que eu não posso é o cidadão me meter 28% em um IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) e ainda criar um imposto seletivo que eles ironicamente chamam de pecado”, afirmou.
Ao falar sobre o endividamento das famílias e empresas, o candidato criticou a política econômica do governo Lula e o programa Desenrola. “Eu não vou mentir para vocês. […] O Lula que te enrolou”, declarou.
Falta de apoio dentro do PSD
Caiado também foi questionado sobre o apoio de integrantes do próprio PSD à sua candidatura. Atualmente, apenas quatro dos 13 candidatos do partido aos governos estaduais declararam apoio à sua candidatura.
O presidenciável afirmou que os partidos foram “cooptados pelo governo federal” e criticou a postura do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
“Kassab deixou bem claro: ‘eu não vou fazer intervenção em estado algum’. Mas preste atenção: o que que o governo federal fez? ‘Vamos abafar todos os partidos no Brasil e cooptar todos’”, afirmou.
A entrevista foi concedida aos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos estúdios da Globo, no Rio de Janeiro