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Redação 20 de Setembro, 2026
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‘Conselheiro e comandante’ de Vorcaro, Otto já viajou em aviões do banqueiro

Política
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Redação 20 de Setembro, 2026

O senador Otto Alencar (PSD-BA), chamado de “conselheiro” e “comandante” pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em mensagens analisadas pela Polícia Federal, já realizou ao menos três viagens em jatinhos da Prime You, empresa que teve o banqueiro entre seus sócios.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, os voos ocorreram em 13 de março, 9 de abril e 12 de junho de 2025. Otto afirmou ao jornal que não sabia quem era o proprietário das aeronaves e disse que as viagens foram pagas pelo advogado Ciro Soares, figura próxima ao senador e que também atuou na defesa de Vorcaro.

Ciro aparece justamente como o elo entre Otto e o dono do Master nas mensagens encontradas pela PF. De acordo com o relatório, o advogado avisava Vorcaro quando estava com o senador, enviava fotografias e fazia ligações para transmitir recados atribuídos ao parlamentar. Em uma conversa de maio de 2024, Ciro afirmou que “Otto queria falar”. Vorcaro respondeu tratando o senador como “nosso comandante” e “conselheiro e comandante nosso”.

A proximidade de Ciro com Otto é anterior à divulgação do caso Master. O advogado já atuou em processos do PSD da Bahia, partido presidido no estado pelo senador. O próprio Otto definiu Ciro como amigo e advogado e afirmou que os dois costumam viajar juntos entre Salvador e Brasília.

A relação também chegou à Assembleia Legislativa da Bahia. Ciro e Otto participaram das articulações para a concessão dos títulos de cidadão baiano ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na cerimônia, realizada em março de 2025, o deputado estadual Niltinho agradeceu publicamente aos dois pelo auxílio na homenagem.

As revelações mais recentes também colocaram em evidência as versões apresentadas por Otto sobre a relação com Vorcaro. No início de setembro, ao ser questionado sobre os áudios envolvendo Ciro, o senador negou contato com o banqueiro e afirmou que o advogado nunca havia lhe pedido nada em nome de Vorcaro.

Após a divulgação das mensagens pela PF, no entanto, Otto admitiu ter conversado “duas ou três vezes” por telefone com Vorcaro, por meio do celular de Ciro Soares. Segundo o senador, o banqueiro buscava apoio para uma proposta que aumentaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Otto afirma que não apoiou a medida.

O senador também rejeitou a caracterização feita por Vorcaro nas mensagens. “Nunca dei conselho ao Daniel Vorcaro”, afirmou Otto ao comentar o fato de ter sido chamado de “conselheiro”. Ele nega ter mantido relação de intimidade com o banqueiro ou participado de encontros presenciais com ele.