Eduardo Bolsonaro critica julgamento do STF e diz que decisão visa tirá-lo das eleições
Ex-deputado foi condenado por coação no curso do processo e se torna ficha suja por oito anos
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta terça-feira (16) que o julgamento do STF contra ele não respeitou o devido processo legal, classificou a decisão como “sem pé nem cabeça” e disse que o objetivo é impedir sua participação nas eleições deste ano.
Na segunda-feira (15), a Primeira Turma do STF condenou Eduardo de forma unânime pelo crime de coação no curso do processo. Ele foi acusado de articular uma tentativa de intimidação dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro para evitar a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no caso da trama golpista.
Com a decisão, Eduardo se torna ficha suja e fica impedido de disputar eleições por até oito anos, embora ainda caiba recurso.
Em nota, Eduardo afirmou que não foi citado de forma legal e atacou o relator, ministro Alexandre de Moraes:
“Qualquer sentença sem respeito ao devido processo legal é nula. O real objetivo deste julgamento é apenas um: tirar meu nome das eleições.”
Ele também disse que aguarda notificação regular por carta rogatória e criticou a citação por edital determinada pelo Supremo.
Votos e fundamentação
Durante o julgamento, Moraes afirmou que “não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. Ele foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Para o relator, a ameaça se concretizou na articulação de sanções do governo Donald Trump, como tarifas sobre exportações brasileiras, suspensão de vistos e aplicação da Lei Magnitsky.
Repercussão
Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, articulava participação nas eleições como suplente do presidente da Alesp, André do Prado, pré-candidato ao Senado.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro também se manifestou em rede social, criticando o silêncio da direita diante da condenação.