Entre pedidos de renúncia e prisão, presidenciáveis reagem a mensagens de Vorcaro com Moraes; Lula mantém silêncio sobre o caso
As revelações de mensagens e documentos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes provocaram forte reação entre candidatos à Presidência da República. Enquanto presidenciáveis cobraram o afastamento ou até a prisão do ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se manifestou publicamente sobre o episódio até o momento.
Segundo relatório da Polícia Federal, mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram contatos com Moraes nos dias que antecederam a prisão do ex-banqueiro. Em uma delas, Vorcaro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o Brasil. A investigação também identificou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, cuja minuta teria sido editada por Alexandre de Moraes. O escritório nega irregularidades.
Flávio Bolsonaro (PL) classificou as informações como graves e defendeu que Moraes deixe o STF. Segundo o presidenciável, o ministro precisa esclarecer as suspeitas relacionadas aos contratos e aos possíveis contatos com autoridades envolvendo o caso Master.
“É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição de ele continuar sendo ministro do Supremo (…). Se ele edita os contratos da esposa, que estava oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantias de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o Procurador-Geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes. Então, são muitas acusações graves e espero, de verdade, que ele esclareça”, disse Flávio durante plenária no Senado.
Já Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que Moraes não teria condições de continuar à frente do Supremo. O governador de Goiás classificou como “conivência” a relação revelada entre o ministro e Vorcaro e alertou para o risco de uma crise institucional caso decisões da Corte passem a ser questionadas pela população.
“Diante da quebra do sigilo do caso Master, fica claro que o ministro Alexandre de Moraes não tem a menor condição de continuar à frente do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Caiado em vídeo divulgado por sua campanha. “A sua vinculação de orientação a um bandido como este, que assaltou a população brasileira em mais de R$ 80 bilhões, a conivência vivida entre os dois, o desqualifica para a função de ministro do Supremo”, acrescentou.
Romeu Zema (Novo) foi ainda mais contundente. Em publicação nas redes sociais, o presidenciável acusou Moraes de ter editado o contrato do escritório da esposa com o Banco Master e afirmou que um eventual impeachment seria insuficiente, defendendo que o ministro fosse preso. As acusações citadas por Zema ainda são objeto de investigação e não significam, por si só, comprovação de crime.
“Esse projetinho de ditador nunca me enganou. A PF acaba de demonstrar que o Min. Alexandre de Moraes editou o contrato do escritório da esposa com o Master, às 23h04, no mesmo sistema que ele usa pra despachar processo. E tem mais: Moraes teria pedido proteção pro Vorcaro diretamente ao PGR e ao diretor da PF”, escreveu.
O candidato Renan Santos (Missão) também anunciou que pretende apresentar pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ele classificou como “bizarros” os elementos envolvendo Moraes e afirmou que pretende transformar o tema em uma das pautas de sua campanha.
“Vamos ingressar com pedidos de impeachment contra Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Davi Alcolumbre está sentado em todos esses pedidos de impeachment”, disse. “São bizarros os elementos contra Alexandre de Moraes. Bizarro que Dias Toffoli siga interferindo nas eleições”, continuou Renan.
Augusto Cury (Avante) adotou outra abordagem. O candidato voltou a defender o fim da vitaliciedade dos ministros do STF e propôs que os integrantes da Corte tenham mandatos de oito anos.
“Temos de romper com isso. Eu tenho o respeito de vários ministros do Supremo, mas sou o único que fala isso”, afirmou a jornalistas durante visita à Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Enquanto os demais presidenciáveis citados se posicionaram sobre as novas revelações, Lula permanece sem declaração pública sobre o caso até o momento, em meio à repercussão política provocada pelas informações envolvendo Vorcaro e Moraes.