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Redação 31 de Outubro, 2026
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Flávio Bolsonaro questiona resultado das urnas e fala em disputar nova eleição antes de 2030

Política
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Redação 31 de Outubro, 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026, questionou, sem apresentar provas, o resultado das urnas e afirmou estar preparado para disputar uma nova eleição antes de 2030. Durante uma transmissão ao vivo diretamente dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (30), o parlamentar também previu que Lula deixará a Presidência antes do fim do mandato e atribuiu sua derrota ao que chamou de “sistema”. 

A transmissão marcou a primeira aparição pública de Flávio desde sua chegada aos Estados Unidos, na quarta-feira (28). Antes de deixar o Brasil, na terça-feira (27), o senador havia divulgado uma carta na qual se apresentava como “verdadeiro presidente eleito”. Posteriormente, alterou a expressão para “líder do Brasil”.

Segundo informações confirmadas pelo governo argentino, o parlamentar viajou com a família em um avião particular que saiu da Argentina em direção ao Equador, onde faria uma parada para reabastecimento antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos. As informações são do portal O Tempo.

Durante a live, Flávio afirmou que decidiu viajar com a esposa, Fernanda, sem comunicar previamente outras pessoas. Também pediu que terceiros não fossem responsabilizados por sua saída do país e rejeitou a ideia de que teria deixado o Brasil por medo.

“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou.

O senador também afirmou que sua saída não representa fraqueza. “Não é nenhum sinal de fraqueza”, disse, ao justificar a decisão por considerar que estaria sendo perseguido.

Outro assunto abordado pelo parlamentar foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a apreensão de seus passaportes.

Flávio contou que recebeu a intimação da Polícia Federal (PF) na segunda-feira (26), quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Segundo o senador, ele conversou com o pai naquele momento e demonstrou preocupação com o que classificou como perseguição política.

“Pai, começou a perseguição, até um pouco antes do que eu imaginava que começaria”, relatou ter dito a Jair Bolsonaro. Ainda de acordo com sua versão, o ex-presidente respondeu com os olhos cheios de lágrimas: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”.

A determinação de Moraes ocorreu no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. Entre os elementos considerados pela Polícia Federal estava uma manifestação pública de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que havia defendido que Flávio deixasse o país caso fosse derrotado nas eleições.

Durante a transmissão, o parlamentar acusou Moraes de envolvê-lo injustamente na investigação e questionou o momento em que a decisão foi tomada, afirmando que a determinação saiu poucos minutos depois da divulgação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio classificou a medida como “sem pé nem cabeça” e afirmou que a primeira pessoa que deveria ser investigada seria a esposa do ministro.

A Polícia Federal cancelou o passaporte do senador na terça-feira (27), depois que terminou o prazo estabelecido para a entrega dos documentos. Já o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a concessão de vistos para Flávio e seus familiares.

Senador questiona votação e promete apresentar supostas irregularidades

Ao comentar a derrota para Lula, Flávio afirmou que não perdeu para o adversário, mas para o que chamou de “sistema”. Sem apresentar evidências, o parlamentar alegou que determinados resultados seriam “matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real” sem algum tipo de irregularidade.

Ele também acusou o presidente eleito de ter sido beneficiado por supostos “gols de mão” que não teriam sido anulados pela Justiça Eleitoral. O senador prometeu apresentar explicações sobre as alegações em breve, mas não detalhou quais seriam as irregularidades.

Em outro momento, Flávio colocou em dúvida a legitimidade dos votos recebidos pelo adversário ao afirmar que os seus “realmente vieram de eleitores reais”. Para ele, a falta de novas camadas de segurança manteria as eleições sob “o manto da desconfiança”.

Lula venceu a disputa presidencial com aproximadamente 4,4 milhões de votos de vantagem sobre Flávio.

Flávio prevê saída antecipada de Lula e fala em nova candidatura

O senador também afirmou acreditar que dificuldades econômicas poderão levar Lula a deixar a Presidência antes do encerramento do mandato, previsto para 2030.

Segundo Flávio, o cumprimento das promessas feitas pelo petista durante a campanha poderia agravar a situação financeira do país.

“Se o Lula cumprir com as promessas dele, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido”, declarou.

Na avaliação do parlamentar, uma crise econômica generalizada seria um dos fatores capazes de provocar a saída antecipada do presidente.

“Essa quebradeira generalizada será um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que muita gente imagina”, afirmou.

Em seguida, voltou a mencionar a possibilidade de disputar uma nova eleição antes de 2030.

“Eu não tô falando de 2030, não, eu tô falando de antes disso”, declarou.

O mandato presidencial de Lula termina em 2030. Pela Constituição Federal, a realização de uma nova eleição antes desse prazo depende da vacância dos cargos de presidente e vice-presidente, conforme as condições estabelecidas na legislação. Flávio, porém, não explicou como acredita que uma eventual antecipação do pleito aconteceria.

Durante a transmissão, Flávio afirmou que o Brasil vive um “regime de exceção” e acusou as instituições de estarem “completamente sequestradas e tomadas”.

Como resposta ao cenário que descreveu, apontou o Congresso Nacional como principal espaço de oposição ao governo federal. O senador também pediu que seus apoiadores pressionem parlamentares para eleger Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, em substituição a Davi Alcolumbre (União-AP).

Aos congressistas que acompanhavam a transmissão, Flávio atribuiu a tarefa de impedir o avanço de medidas que considera prejudiciais ao país.

“Segurar e evitar que o mal no nosso país aconteça de uma forma muito rápida”, declarou.

O senador ainda voltou a defender o pai, afirmando que Jair Bolsonaro está preso “sem ter cometido absolutamente nenhum crime”. Ele também classificou como “nojentas” supostas negociações que utilizariam a liberdade do ex-presidente como “moeda de troca”, mas não identificou os envolvidos nem apresentou detalhes sobre as tratativas.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.