Jaques Wagner critica emendas parlamentares e afirma que Congresso está “viciado” no modelo
O senador Jaques Wagner (PT-BA) fez duras críticas ao uso das emendas parlamentares no Congresso Nacional, afirmando que o parlamento está “viciado” nesse mecanismo de destinação de recursos. A declaração foi feita nesta sexta-feira (14), durante evento na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
“Você já viu alguém sair da zona de conforto? É difícil, né? Se você não puder dar uma bicicleta a uma criança, ela pode até ficar chateada, mas aceita. Agora, depois que você dá, tirar de volta? Infelizmente, criaram esse hábito no Congresso. Eu, pessoalmente, ainda acho que o volume de recursos envolvidos é absurdo”, declarou o senador.
Wagner argumentou que a grande quantidade de emendas individuais compromete a capacidade de investimento do governo em projetos estruturantes. Segundo ele, a pulverização dos recursos públicos reduz a viabilidade de obras essenciais.
“O problema das emendas, independente de qualquer outro fator, é que elas fragmentam excessivamente o orçamento. Não acho que seja a melhor forma de utilizar o dinheiro público. Construir uma praça em uma cidade do interior pode ser válido, mas também precisamos garantir recursos para estradas, hospitais e outras grandes obras. No fim, temos 600 parlamentares consumindo R$ 53 bilhões”, destacou.
O senador ainda comparou o cenário atual com períodos anteriores e afirmou que o modelo vigente não é o ideal para o governo. “Esse novo normal não é o que eu gostaria, nem o presidente Lula, mas foi a realidade que encontramos ao assumir [em 2023], bem diferente do que vivenciamos em 2003”, concluiu.