Meta nega favorecimento político após questionamentos sobre alcance de Lula e Flávio Bolsonaro
A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, negou nesta sexta-feira (16) que esteja favorecendo candidatos na eleição presidencial de 2026. Em nota, a companhia afirmou que não toma partido no processo eleitoral e atribuiu a falhas técnicas os episódios que motivaram questionamentos sobre a distribuição de conteúdos políticos nas redes sociais.
A manifestação ocorre após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontar possíveis restrições ao alcance de suas publicações e questionar diferenças no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial. As suspeitas também envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.
No comunicado, a empresa declarou que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdos com base em ideologia política e que as regras são aplicadas igualmente a todos os candidatos. A Meta também negou as acusações de favorecimento eleitoral.
TSE determina tratamento igualitário aos candidatos
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta não restrinja a distribuição de conteúdos político-eleitorais relacionados a Lula ou Flávio Bolsonaro até o fim do segundo turno.
A decisão foi mantida por unanimidade pelo plenário do TSE nesta sexta-feira (16). A ordem impede medidas como redução artificial do alcance das publicações, exclusão de recomendações e restrições nas buscas relacionadas aos candidatos. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 500 mil.
A medida foi motivada por questionamentos apresentados pela campanha de Lula, que apontou possíveis diferenças no tratamento dado pelas plataformas aos dois candidatos durante a disputa presidencial.
Meta atribui episódios a falhas técnicas
Entre os casos citados está a desativação temporária da conta de anúncios da campanha de Lula, em 23 de setembro. Segundo a Meta, a conta ficou desativada por pouco mais de uma hora devido a uma classificação equivocada durante um procedimento de combate a fraudes envolvendo programas sociais.
A empresa também explicou que, em 7 de outubro, uma falha global afetou a contagem de visualizações e reproduções de vídeos do Instagram. De acordo com o comunicado, o problema durou aproximadamente cinco horas e atingiu usuários de mais de cem países.
Outro episódio ocorreu em 9 de outubro, quando uma falha no Gerenciador de Anúncios impediu temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações já existentes no Instagram. A campanha de Lula estimou que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber anúncios em razão das dificuldades relatadas.
A Meta, por sua vez, afirmou que o problema atingiu anunciantes de diferentes países e que os anúncios que já estavam em veiculação não foram afetados. A companhia também declarou que a campanha de Lula continuou podendo criar anúncios diretamente pelo Gerenciador de Anúncios.
As explicações constam de um comunicado publicado pela própria empresa em 16 de outubro. .
Inteligência artificial também entrou no debate
A ferramenta Meta AI também passou a ser alvo de questionamentos após usuários relatarem diferenças na geração de imagens relacionadas aos candidatos.
Segundo as denúncias, a ferramenta permitia inicialmente determinados pedidos envolvendo Flávio Bolsonaro, mas bloqueava solicitações semelhantes relacionadas a Lula. O episódio levantou suspeitas sobre possíveis falhas nos mecanismos de proteção da inteligência artificial.
A Meta afirmou que o problema ocorreu devido a uma lacuna nos sistemas de segurança, que nem sempre identificavam corretamente referências aos candidatos quando eram utilizados apenas nomes comuns associados aos números eleitorais.
A empresa declarou ter adotado medidas adicionais para impedir resultados incompatíveis com as regras eleitorais brasileiras e reiterou que não houve intenção de favorecer uma candidatura.
Com a decisão do TSE, a Meta deverá assegurar tratamento igualitário aos candidatos nas plataformas sob sua responsabilidade até o encerramento do segundo turno, marcado para 25 de outubro.