MPE pede impugnação da candidatura de Binho Galinha à reeleição na Bahia
Durante buscas, a Polícia Federal teria encontrado fuzis, pistolas, revólveres e espingardas em endereços ligados ao deputado. A Receita Federal identificou movimentação de mais de R$ 15 milhões líquidos, considerada incompatível com os rendimentos declarados, além de 12 imóveis sem lastro financeiro. Dados telemáticos revelaram contatos de mais de 120 policiais civis e militares na agenda do parlamentar, além de planilhas que indicariam pagamentos a agentes dessas instituições em Feira de Santana.
Segundo o Ministério Público, Binho Galinha já foi condenado a mais de 36 anos e 9 meses de prisão por crimes ligados ao Estatuto do Desarmamento, incluindo posse de armamento de uso restrito e com numeração suprimida. As acusações de comando de organização criminosa derivam das operações El Patrón, Hybris e Estado Anômico, que apontam envolvimento com lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem, receptação e exploração do jogo do bicho.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação do registro de candidatura à reeleição do deputado estadual Binho Galinha (Avante), nesta sexta-feira (7). O documento, protocolado pelo procurador regional eleitoral Cláudio Gusmão e obtido pelo Bahia Notícias, afirma que o parlamentar lideraria uma organização criminosa armada na região de Feira de Santana, o que o tornaria inapto a exercer o mandato.
As investigações indicam que a suposta organização teria cinco núcleos, incluindo um braço armado formado por policiais militares que fariam a segurança pessoal do deputado e cobranças violentas. O MPE sustenta que, mesmo após medidas cautelares, o grupo continuou a operar por meio de terceiros, como a esposa e o filho do parlamentar.
O pedido se apoia em entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que veda a participação de integrantes de organizações paramilitares ou grupos criminosos organizados no processo eleitoral. Para o MPE, a candidatura comprometeria a legitimidade e a normalidade das eleições. O caso tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), sob relatoria do desembargador Moacyr Pitta Lima Filho.