MST cobra demissão de ministro Paulo Teixeira e diz que ele “passou do limite”
Movimento critica lentidão na reforma agrária e acusa o ministro de maquiar números
Lideranças do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) intensificaram as críticas ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e passaram a cobrar publicamente sua substituição por parte do presidente Lula (PT). Segundo o movimento, o ministro não tem demonstrado capacidade ou interesse em avançar com a reforma agrária.
A pressão sobre o governo deve aumentar nesta quinta-feira (29), durante encontro de Lula e Teixeira com representantes do MST em um assentamento no Paraná. A expectativa é que o grupo leve cobranças diretas ao presidente.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro afirmou estar surpreso com as críticas e diz manter diálogo constante com os sem-terra. Ele argumenta que todas as metas da pasta estão sendo cumpridas e que absorveu sugestões do próprio MST, como a revisão da divulgação dos dados de assentamentos.
Desde o início do atual governo, a relação entre o MST e o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem se desgastado. Em 2023, o movimento foi mais tolerante, reconhecendo a desestruturação deixada pela gestão anterior. No entanto, a partir de 2024, as críticas aumentaram diante do que o movimento classifica como estagnação da reforma agrária e falta de recursos.
Jaime Amorim, membro da direção nacional do MST, afirma que Teixeira “não entende de reforma agrária” e que insiste em apresentar dados que não refletem a realidade dos acampamentos. Segundo ele, o movimento não vê mais sentido em dialogar com o ministro.
Entre os principais pontos de tensão está a divergência nos números de famílias assentadas. O MST critica o uso de dados que incluem regularizações fundiárias e não apenas a criação de novos assentamentos. Em 2024, o ministério anunciou 71.414 famílias assentadas, número contestado pelo movimento.
O ministro defende o programa Terra da Gente e diz que a meta de 60 mil famílias assentadas está sendo cumprida. Segundo ele, 15 mil já foram contempladas em 2025, o que representa metade da meta do ano.
Teixeira também destacou o anúncio de R$ 1,6 bilhão em crédito instalação para assentados e de um edital de R$ 1 bilhão para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Além disso, menciona a retomada do Pronera (educação na reforma agrária), com 15 turmas em 2023 e 22 previstas para este ano.
Ainda assim, o MST acusa o ministro de não defender com firmeza mais recursos para a reforma agrária dentro do governo.
“A reforma continua praticamente paralisada”, diz Amorim.