O Globo mostra como Sidônio acumulou desafetos e revela estratégias para enfrentar “fogo amigo” e manter influência em Brasília
Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo neste domingo (7), assinada pela jornalista Jeniffer Gularte, detalha os bastidores da atuação do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e revela como o marqueteiro da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 se tornou uma das figuras mais influentes do atual governo.
Segundo a publicação, Sidônio assumiu a Secom em janeiro de 2025 com ampla autonomia concedida pelo presidente Lula e passou a participar diretamente de discussões que vão muito além da comunicação institucional. O ministro teria conquistado espaço nas principais decisões estratégicas do Palácio do Planalto, acumulando influência em áreas como economia, segurança pública e formulação de programas governamentais.
A reportagem relata que a atuação de Sidônio também gerou resistências dentro do próprio governo. Apelidado nos bastidores de “grilo falante de Lula” e “ministro polvo”, ele teria colecionado desafetos ao interferir em temas tradicionalmente ligados a outras pastas. Entre os episódios citados está sua atuação durante a crise envolvendo o monitoramento de transações financeiras e o Pix, quando defendeu a revogação da medida após a repercussão negativa nas redes sociais.
De acordo com O Globo, Sidônio consolidou uma metodologia baseada em pesquisas, monitoramento de redes sociais e grupos focais para orientar decisões do governo. A prática fez com que integrantes da administração passassem a classificá-lo como alguém que “governa por tracking”, em referência ao acompanhamento constante da opinião pública.
A reportagem também aponta que o ministro teve participação relevante em debates sobre a chamada “taxa das blusinhas”, nas estratégias de comunicação durante a crise dos descontos indevidos do INSS e em discussões relacionadas à segurança pública. Em alguns casos, suas posições prevaleceram; em outros, encontraram resistência de ministros e auxiliares do presidente.
Outro ponto destacado pela publicação é a aposta da Secom em comunicação digital. Segundo os dados citados, o governo ampliou significativamente os investimentos em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais e plataformas digitais desde a chegada de Sidônio ao comando da pasta. A estratégia teria contribuído para o crescimento do alcance dos perfis oficiais do governo federal.
A matéria ainda relata que Sidônio se tornou um dos principais conselheiros de Lula e passou a defender que a comunicação não deve apenas divulgar ações governamentais, mas também influenciar a formulação de políticas públicas a partir da percepção da população.
“Não se pode governar ao lado do povo brasileiro sem escutar o povo brasileiro. Quem escuta o povo brasileiro é a Secom”, afirmou o ministro em declaração reproduzida pela reportagem.
A publicação conclui que, apesar das críticas internas e disputas de espaço dentro do governo, Sidônio Palmeira segue como um dos auxiliares mais próximos de Lula e uma das figuras centrais na estratégia política e de comunicação da atual gestão.