Operação Lívia expõe rede criminosa que induzia adolescentes à automutilação e suicídio
Caso de jovem de 13 anos transmitido ao vivo no Discord levou à investigação nacional
O Ministério da Justiça apresentou nesta terça-feira (4) os resultados da Operação Lívia, deflagrada após o suicídio de uma adolescente de 13 anos transmitido ao vivo em um grupo no Discord. A investigação revelou uma organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetendo-os a coerção psicológica e incentivando práticas de violência contra animais, automutilação e indução ao suicídio.
Segundo o TCE-BA, o caso ganhou repercussão nacional e levou à atuação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio do Ciberlab da Senasp/MJSP. Foram cumpridos oito mandados de busca em cinco estados, resultando na apreensão de adolescentes e de um jovem de 18 anos. O suposto líder do grupo é um adolescente de 14 anos, detido no Rio de Janeiro.
Em coletiva, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, reforçou a necessidade de supervisão parental e vigilância ativa:
“Redobrem a atenção no cuidado com os seus filhos, com as crianças, com os adolescentes, no contato com esses conteúdos, em função dos graves eventos que foram reportados aqui.”
O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, destacou que plataformas como Discord e Telegram descumpriram o ECA Digital e o Marco Civil da Internet ao não interromperem a transmissão nem notificarem as autoridades. Ele anunciou que o MJSP vai encaminhar pedido de investigação à ANPD contra as empresas.
Outro ponto grave revelado pela polícia foi a criação de uma chave Pix em nome da vítima, sem o conhecimento da mãe, usada pelos criminosos para enviar dinheiro e induzir a adolescente a comprar lâminas para automutilação.
O delegado Alessandro Barreto informou ainda que outra vítima foi identificada em outro estado e conseguiu ser salva antes de cometer suicídio em transmissão previamente agendada.