Ricardo Nunes diz ser “difícil entender” tentativa de Bolsonaro de romper tornozeleira eletrônica
Prefeito de São Paulo afirma que ex-presidente pode ter agido sob efeito de medicamentos e forte tensão emocional
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (24) que é “difícil entender” o que levou Jair Bolsonaro (PL) a tentar romper a tornozeleira eletrônica, ação que resultou em sua prisão preventiva no fim de semana.
Segundo Nunes, Bolsonaro pode ter agido sob influência de medicamentos e pressão psicológica. “É difícil entender o que uma pessoa na idade dele está passando. O que vi pela imprensa é que ele estaria sob efeito de remédios. É muito difícil comentar algo sem estar lá, acompanhando”, disse o prefeito, após evento com empresários e políticos na capital.
A declaração ocorreu dois dias depois de Bolsonaro admitir, em audiência de custódia, que tentou abrir o aparelho de monitoramento com um ferro de solda. Na ocasião, o ex-presidente alegou ter tido uma “alucinação” de que havia uma escuta dentro da tornozeleira e relatou “certa paranoia” causada pela combinação de medicamentos.
O alerta de violação do equipamento foi um dos pontos considerados pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) ao determinar a prisão.
Repercussões políticas
Durante o evento, Nunes também comentou o impacto do caso sobre a política nacional e reafirmou apoio ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Não serei candidato em 2026. Apoio Tarcísio onde ele estiver, seja na reeleição ou na Presidência”, afirmou.
Outros governadores presentes reagiram ao episódio.
Para Eduardo Leite (PSD-RS), a prisão se justifica “do ponto de vista legal”, embora represente um momento político “lamentável”. Já Romeu Zema (Novo-MG) voltou a defender Bolsonaro e afirmou ver “perseguição política”, dizendo que, em casos semelhantes, presos monitorados “demoram mais a ser detidos”.
Bolsonaro está preso na Polícia Federal, em Brasília, desde sábado (22).