Secretário da Seap enfrenta pressão para deixar o cargo após fugas, regalias e nomeação polêmica na Bahia
A permanência de José Carlos Souto de Castro Filho à frente da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) está sob forte questionamento. Nomeado em maio deste ano pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), por indicação do MDB, o titular da pasta vem acumulando episódios negativos que colocam sua gestão no centro de uma crise no sistema prisional baiano.
Desde sua nomeação, a Bahia já registrou três fugas de detentos em menos de sete meses, sendo a mais recente no dia 7 de julho, quando quatro presos escaparam do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas após abrirem um buraco na parede da cela. Antes disso, 16 detentos fugiram de Eunápolis em dezembro de 2024 e apenas um foi recapturado, morto em confronto com a polícia.
Somado às fugas, um escândalo com imagens de celas de luxo na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, reforçou a imagem de descontrole dentro do sistema. As fotos mostram líderes de facção usufruindo de bebidas importadas, perfumes caros, móveis planejados e banheiro privativo. O caso, revelado por inquérito da Polícia Civil, ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias.
Segundo informações do Política Livre, outro ponto de desgaste foi a nomeação, posteriormente anulada, de um ex-detento acusado de tentativa de homicídio para um cargo de confiança na própria Seap.
A decisão provocou revolta entre agentes penitenciários e repercutiu negativamente entre aliados do governador. Pressionado, Jerônimo admitiu o erro publicamente e determinou a exoneração.
Apesar das promessas de reestruturação, como reformas nas unidades prisionais e a criação de uma nova sede da Unidade Especial Disciplinar (UED), a desconfiança cresce nos bastidores do próprio governo. Aliados reclamam da falta de diálogo com servidores e classificam a gestão como a “pior da história da Seap”, disse um político ao Política Livre.
A crise já alimenta o discurso da oposição. O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, usou suas redes para criticar duramente o governador: “É dessa forma que Jerônimo Rodrigues pune os criminosos na Bahia – com amor, carinho e também com muito luxo”, disparou. “Por que num estado onde a gente vê constantemente fuga de presos, como já aconteceu em Feira de Santana, Teixeira de Freitas e Eunápolis, o governador até hoje mantém o secretário?”
Em contrapartida, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) escalou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) para defender a segurança pública da Bahia. Conforme informações publicadas pelo Se Ligue Bahia, em vídeo divulgado nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, o ex-ministro rebate críticas feitas por ACM Neto, e relembra episódios de violência ocorridos nas gestões do ex-governador ACM.