Institutos de saúde dos Brics discutem cooperação contra emergências e doenças negligenciadas
Encontro organizado pela Fiocruz deve resultar em carta conjunta com compromissos e propostas
Representantes dos institutos nacionais de saúde dos países que integram o Brics estão reunidos no Rio de Janeiro para ampliar parcerias técnicas e científicas voltadas ao enfrentamento de problemas comuns e à preparação para futuras emergências sanitárias. O encontro, organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), culminará na divulgação de uma carta com compromissos conjuntos nesta quarta-feira (17).
Entre os temas discutidos estão a cooperação na resposta a emergências de saúde pública, mudanças climáticas, desenvolvimento de vacinas, medicamentos e testes diagnósticos. Outro ponto central é a redução das desigualdades no acesso a insumos e tratamentos, desafio especialmente relevante para países em desenvolvimento.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou que o cenário de retração de investimentos internacionais em saúde reforça a importância da união dos Brics. Já a vice-presidente de Saúde Global da Fiocruz, Lourdes Oliveira, ressaltou que a cooperação é estratégica para garantir soberania científica e evitar situações de desabastecimento como as registradas durante a pandemia de Covid-19.
Um dos princípios que orientam o trabalho é a Parceria pela Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, acordo firmado em julho pelo bloco, que prevê ações contra enfermidades relacionadas a desigualdade social e condições precárias de vida, como tuberculose, malária, doença de Chagas e hepatites virais.
O Brics é atualmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.