Nova lei estabelece estratégia nacional para avaliar saúde privada e pública
Regra publicada no Diário Oficial define padrões de qualidade, fiscalização e penalidades
O Brasil passa a contar com a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde, voltada principalmente para hospitais e clínicas particulares, mas também aplicável ao setor público. A lei foi publicada nesta terça-feira (29) no Diário Oficial da União e cria parâmetros de avaliação periódica, além da divulgação pública dos resultados.
Critérios obrigatórios
De acordo com a norma, caberá à Anvisa definir os padrões de verificação, observando as características de cada prestador. Entre os requisitos mínimos estão:
- Segurança do paciente e uso de tratamentos com eficácia comprovada.
- Disponibilidade de profissionais e estruturas adequadas.
- Atendimento ágil, evitando filas e atrasos.
- Cuidado centrado no paciente.
- Equidade, sem discriminação por sexo, religião, etnia ou condição socioeconômica.
- Cumprimento das normas da Anvisa e da ANS.
A lei permite o uso de acreditações externas como complemento na análise dos serviços, mas reforça que inspeções e visitas técnicas oficiais continuam obrigatórias. Hospitais públicos também deverão passar por avaliações, com divulgação dos resultados em regulamentação específica.
O descumprimento das regras pode gerar:
- Multa diária de R$ 5 mil.
- Aumento da penalidade em até 100 vezes, conforme a capacidade econômica do estabelecimento.
- Responsabilização civil por danos à saúde.
- Outras sanções previstas pela legislação de defesa do consumidor e pela ANS.
O projeto foi apresentado em 2024 pelo então senador Flávio Dino, hoje ministro do STF. A iniciativa surgiu após a morte de seu filho, Marcelo Dino, em 2012, em um hospital particular de Brasília, durante uma crise de asma. O caso expôs falhas graves no atendimento e motivou a criação de regras mais rígidas para garantir qualidade e segurança na assistência médica.