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Redação 28 de Agosto, 2026
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Novas diretrizes mudam tratamento da tireoide na gestação

Saúde
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Redação 28 de Agosto, 2026

Sociedades médicas brasileiras passam a recomendar monitoramento em vez de uso preventivo de hormônio em gestantes com anticorpos positivos e função tireoidiana normal

Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO), mas com funcionamento normal da glândula, não devem mais receber tratamento preventivo com hormônio sintético. Três grandes estudos recentes comprovaram que o uso da levotiroxina nesses casos não reduz riscos de abortamento ou parto prematuro.

A decisão levou a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) a atualizarem suas recomendações para diagnóstico e tratamento de alterações da tireoide na gravidez. As novas orientações seguem diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide (ATA) em junho deste ano.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia.

Principais mudanças

  • Anti-TPO positivo com função normal: não usar levotiroxina preventivamente; apenas monitorar a função da glândula.
  • Hipotireoidismo prévio: manter tratamento e aumentar em cerca de 30% a dose habitual ao engravidar.
  • Hipotireoidismo subclínico: tratar apenas no primeiro trimestre se TSH entre 4,0 e 10 mUI/L; nos demais trimestres, acompanhar sem iniciar hormônio, salvo se TSH > 10 mUI/L.
  • Rastreamento: Brasil mantém triagem universal de gestantes, diferente da ATA, que sugere rastreamento seletivo por fatores de risco.
  • Fatores de risco atualizados: permanecem histórico de doença tireoidiana, autoimunidade, infertilidade, múltiplos abortamentos e uso de medicamentos que afetam a glândula. Idade materna, obesidade e número de gestações deixam de ser critérios.
  • Iodo: suplementação não será universal; recomendada apenas em casos de dietas restritivas ou risco de ingestão insuficiente.

Impacto

Segundo o endocrinologista Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, o anticorpo positivo indica apenas predisposição à alteração.

“Se TSH e T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina”, explicou.

As mudanças buscam evitar excesso de medicação desnecessária, individualizar o tratamento e garantir maior segurança para mães e bebês.