Apostas online aumentam inadimplência e reduzem acesso ao crédito, aponta estudo
Um estudo inédito conduzido pelo professor Sérgio Firpo, do Insper, em parceria com pesquisadores da Stone, revelou os impactos financeiros das apostas online sobre os brasileiros que começaram a jogar após a regulamentação em janeiro de 2025.
Principais resultados
• A inadimplência entre novos apostadores cresceu em média 20% nos 12 meses seguintes à primeira aposta, em comparação com quem não joga.
• O atraso no pagamento do cartão de crédito aumentou 38,7% no primeiro ano após o início das apostas.
• Um em cada dez apostadores destina mais de 20% do orçamento mensal às bets.
• O limite de crédito oferecido pelos bancos caiu em média 16% para quem começou a apostar, efeito semelhante ao provocado pela perda de emprego.
Dados e metodologia
Os pesquisadores analisaram movimentações financeiras de milhões de clientes da Stone, cruzando informações com dados do Banco Central. Foram identificadas transferências para sites legalizados e ilegais de apostas, permitindo comparar a trajetória financeira dos apostadores com a de pessoas semelhantes que não jogam.
Impacto maior entre jovens
Segundo o estudo, os mais jovens comprometem uma fatia maior do orçamento com apostas e apresentam índices mais elevados de inadimplência. Como esse grupo está sub-representado entre os clientes da Stone, os efeitos sobre a população geral podem ser ainda mais graves.
Efeitos macroeconômicos
Com cerca de 25 milhões de brasileiros apostando, segundo o Ministério da Fazenda, os pesquisadores avaliam que os impactos individuais se somam em efeitos agregados, como a contração do crédito e o aumento da inadimplência das famílias.
Necessidade de restrições
Firpo e o economista Rômullo Carvalho defendem maior regulação, especialmente sobre os cassinos online, como o “tigrinho”, por serem jogos contínuos e de rápida repetição. Eles também avaliam que a atual taxação de 13% não é suficiente para conter a expansão das apostas.