Bairros negros de Salvador enfrentam maior impacto da violência armada em escolas
Pesquisa registrou tiroteios ocorridos entre julho de 2022 e agosto de 2024
Um estudo realizado pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com a Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas revelou que os bairros de Salvador com maioria negra enfrentam níveis alarmantes de violência armada, particularmente no entorno de escolas.
A pesquisa, que analisou tiroteios ocorridos entre julho de 2022 e agosto de 2024, durante dias e horários letivos, apontou que 11 bairros concentram 34% dos incidentes registrados. Todos eles apresentam população negra acima da média da cidade, que é de 79,48% segundo o Censo de 2010.
Os bairros mais afetados incluem Fazenda Grande do Retiro, Beiru/Tancredo Neves e Castelo Branco, enquanto áreas com maioria branca, como Graça e Vitória, registraram poucas ou nenhuma ocorrência. No período analisado, 43% dos tiroteios ocorreram durante operações policiais, ressaltando a desigualdade nas políticas de segurança pública. Segundo Maria Isabel Couto, do Instituto Fogo Cruzado, a disparidade reforça a urgência de estratégias igualitárias.
“A violência armada não atinge a todos da mesma forma, e é preciso questionar essa desigualdade”, afirmou.
Os 11 bairros com mais tiroteios em um raio de até 300 metros das escolas durante dias
e horários letivos foram:
1. Fazenda Grande do Retiro: 39 tiroteios (86,38% da população negra; 12,08%
branca)
2. Beiru/Tancredo Neves: 27 tiroteios (86,57% da população negra; 11,70% branca)
3. Castelo Branco: 27 tiroteios (84,50% da população negra; 23,60% branca)
4. Engenho Velho da Federação: 25 tiroteios (87,22% da população negra; 11,79%
branca)
5. Federação: 24 tiroteios (79,58% da população negra; 19,50% branca)
6. Pernambués: 21 tiroteios (82,45% da população negra; 15,97% branca)
7. IAPI: 20 tiroteios (82,79% da população negra; 15,52% branca)
8. Pero Vaz: 19 tiroteios (89,87% da população negra; 8,88% branca)
9. Lobato: 16 tiroteios (89,62% da população negra; 9,05% branca)
10. Nordeste de Amaralina: 16 tiroteios (83,48% da população negra; 14,62% branca)
11. São Cristóvão: 16 tiroteios (84,42% da população negra; 13,87% branca)
Para Dudu Ribeiro, da Iniciativa Negra, os dados expõem um “massacre racial” que exige respostas urgentes para proteger crianças e jovens em ambiente escolar.
“Precisamos de políticas reparatórias que reconheçam a prevalência desse problema nos territórios de maioria negra e promovam mudanças reais”, destacou.
A pesquisa aponta para a necessidade de medidas concretas e sustentáveis que priorizem a vida e a segurança da população negra em Salvador.