Policial penal é afastado por cobrar propina para liberar pernoites a detentos
Agentes cobravam entre R$ 20 e R$ 70 por dia para liberar saídas irregulares
A segunda fase da Operação Falta Grave resultou no afastamento do policial penal Francisco Carlos da Cunha, acusado de cobrar taxas de detentos da Casa do Albergado e Egresso (CAE) em Salvador para permitir pernoites fora da unidade. O mandado de busca e apreensão foi cumprido em sua residência nesta segunda-feira (31).
A ação foi conduzida pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), por meio do Grupamento Especializado em Operações Prisionais (GEOP), em conjunto com o Ministério Público da Bahia (MPBA) e apoio da Polícia Militar. O objetivo é aprofundar as investigações sobre o esquema criminoso e identificar outros envolvidos.
O Ministério Público denunciou Francisco Carlos da Cunha pelos crimes de corrupção passiva e associação criminosa. A 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca de Salvador determinou seu afastamento da função pública no último dia 27.
O esquema
Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), o policial penal, junto com outros agentes já denunciados, cobrava entre R$ 20 e R$ 70 por dia para liberar saídas irregulares, com valores mais altos nos fins de semana e feriados. Para encobrir a prática, detentos assinavam os registros de presença retroativamente.
A fraude já era amplamente conhecida entre presos do regime fechado e semiaberto, que procuravam os agentes ao progredirem de regime. A primeira fase da operação, realizada em setembro de 2024, revelou provas que levaram à nova etapa das investigações.
As autoridades seguem apurando o caso para identificar a extensão do esquema e outros possíveis envolvidos.
Ver essa foto no Instagram