Trio é preso por esquema de venda de sangue de gatos; entenda
Três pessoas foram presas em Monte Alto, no interior de São Paulo, suspeitas de participar de um esquema clandestino de coleta e venda de sangue de gatos. O caso veio à tona no último sábado (4), após denúncia recebida pela Guarda Civil Municipal e pela Polícia Civil.
De acordo com a Prefeitura, sete gatos e um cachorro foram resgatados no imóvel onde o sangue era coletado irregularmente. Os animais estão sob cuidados veterinários e, após recuperação, serão encaminhados para adoção.
Resgate e diagnóstico
Os primeiros resgates ocorreram ainda no sábado, quando equipes da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente encontraram três gatos em condições precárias. Uma das fêmeas testou positivo para o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), doença que atinge o sistema imunológico e é considerada a versão felina da Aids.
Na segunda-feira (6), os agentes retornaram ao endereço e recolheram mais quatro gatos e um cachorro que estavam em uma casa nos fundos do mesmo terreno. Todos foram encaminhados para avaliação clínica.
Como a denúncia começou
A investigação começou após um anúncio publicado em redes sociais, oferecendo R$ 50 por gato para tutores que aceitassem permitir a coleta de sangue. O texto circulava em um status de WhatsApp e levou os agentes até uma casa na Rua Marciano de Vasconcelos Nogueira.
Segundo o boletim de ocorrência, o local apresentava condições insalubres e funcionava sem supervisão de médico veterinário. No interior, foram encontradas seringas, frascos com sangue e seis gatos desacordados.
Quem são os presos
Foram presos Cleiton Fernando Torres, de 37 anos, estudante de veterinária e morador de Bady Bassit (SP); Sandra Regina de Oliveira, de 50, aposentada; e Ângela Aparecida Alves Ribeiro, de 42, empregada doméstica — ambas de Monte Alto.
O trio foi levado à delegacia e autuado por maus-tratos a animais, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). Após audiência de custódia, Cleiton permaneceu preso, enquanto as demais investigadas foram liberadas. Outros dois homens, Everton Leite Silva, 37, e José Luiz de Lima, 63, também são investigados por envolvimento no caso.
Polícia investiga destino do sangue
O delegado Marcelo Lourenço dos Santos afirmou que há indícios de que o sangue coletado seria enviado a uma clínica veterinária em outra cidade. “As investigações buscam identificar todos os participantes do esquema e o destino final do material”, explicou.
Os suspeitos disseram à polícia que trabalhavam como freelancers para uma clínica de São José do Rio Preto, realizando a coleta de sangue de gatos para uso terapêutico em outros animais.
O que dizem os investigados e a clínica
Em depoimento, Cleiton alegou que coordenava o trabalho e recebia R$ 300 por diária, enquanto os auxiliares ganhavam R$ 100. Sua defesa afirmou que o cliente é inocente e que a coleta de sangue animal não é ilegal quando feita com finalidade terapêutica, reforçando que não há laudo comprovando maus-tratos ou morte dos animais.
Ângela, dona da casa onde os procedimentos ocorriam, disse que permitiu a coleta acreditando estar ajudando outros gatos doentes e negou ter recebido qualquer valor.
A clínica Hemoser, citada na ocorrência, declarou em nota que mantém um banco de sangue veterinário regularizado, ressaltando que a prática é segura e não causa sofrimento aos animais doadores.
Próximos passos
Os animais resgatados seguem em observação e devem ser colocados para adoção assim que receberem alta veterinária. O caso continua sob investigação da Delegacia de Monte Alto, com apoio da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária.