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Redação 23 de Abril, 2026
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Correios podem ampliar prejuízo até 2027 e devem precisar de aporte do governo, aponta LDO

Brasil
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Redação 23 de Abril, 2026

Os Correios podem enfrentar um agravamento na situação econômico-financeira nos próximos anos, mesmo com um plano de reestruturação em andamento. A avaliação consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional na última semana.

De acordo com o documento, a estatal deve continuar registrando prejuízos elevados já em 2026, apesar das medidas adotadas para tentar reequilibrar as contas. Entre as ações previstas estão redução de custos, revisão de planos de previdência complementar e de saúde, programas de demissão voluntária, venda de imóveis ociosos e reajustes tarifários.

O governo também admite a possibilidade de novos aportes de recursos da União até 2027 para sustentar a recuperação financeira da empresa. A medida já havia sido mencionada pela ministra da Gestão, Esther Dweck, que destacou a previsão no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025.

Segundo a ministra, mesmo com a contratação de novos financiamentos, o aporte direto do Tesouro Nacional pode ser necessário para equilibrar as contas da estatal. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional autorizou a ampliação do limite para captação de crédito pelos Correios, permitindo a obtenção de até R$ 8 bilhões adicionais com garantia da União.

Déficit das estatais segue elevado

O cenário negativo dos Correios tem impacto direto no desempenho das estatais federais. Em 2025, essas empresas registraram déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da série histórica, segundo dados do Banco Central do Brasil.

A situação se manteve no início de 2026, quando o rombo acumulado no primeiro bimestre chegou a R$ 4,1 bilhões. Nesse contexto, o termo déficit indica que as despesas superaram as receitas das estatais no período analisado.

O levantamento do Banco Central não inclui empresas como Petrobras, Eletrobras e bancos públicos, focando em estatais como Correios, Infraero, Serpro e Dataprev. Já o Tribunal de Contas da União apontou que 95% do déficit das estatais não dependentes está concentrado em apenas quatro empresas, incluindo os Correios.

Projeções até 2030

As estimativas do governo indicam que o cenário deve permanecer desafiador nos próximos anos. Para 2026, a previsão é de déficit de R$ 6,75 bilhões nas estatais federais. Em 2027, o rombo pode atingir R$ 7,55 bilhões.

Já para os anos seguintes, a equipe econômica projeta déficits de R$ 6,1 bilhões em 2028, R$ 5,04 bilhões em 2029 e R$ 5,71 bilhões em 2030, sinalizando uma recuperação lenta e gradual das contas públicas dessas empresas.