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Redação 10 de Agosto, 2024
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Colégio estadual relata desafios ao lidar com violência e assassinatos de estudantes pela criminalidade

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Redação 10 de Agosto, 2024

Em projeto, instituição cita pastas com “arquivo morto" que preserva a história estudantil de jovens da periferia, com idades entre 14 e 20 anos, que foram vítimas da violência dentro das comunidades próximas à escola

O Colégio Estadual Rubén Dario, na Avenida San Martin mantém uma gaveta com 116 pastas de estudantes assassinados nos últimos 10 anos. Conforme apuração do CORREIO,o acervo, conhecido como “arquivo morto”, que preserva a história estudantil de jovens da periferia, com idades entre 14 e 20 anos, que foram vítimas da violência dentro das comunidades próximas à escola. Entre os alunos, estavam os que não criavam problemas na aula,no entanto, fora dos portões da instituição eram temidos e procurados pela polícia.

A realidade sobre a situação veio à tona em um vídeo institucional, feito por estudantes em 2023, através de um projeto da Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). O documentário, com cerca de 15 minutos, chamado Sonhos Roubados, faz parte do projeto Força Jovem, do Programa Juventude Produtiva da Setre, disponível no Youtube. O trabalho foi postado no Youtube no dia 19 de dezembro do ano passado. Veja:

No colégio, onde estudam jovens do Ensino Fundamental II, etapa da Educação Básica que compreende do 6º ao 9º ano (antigas 5ª a 8ª série) atende alunos dos bairros de São Caetano, Fazenda Grande, Fazenda Grande do Retiro, Santa Mônica e Curuzu, locais disputados pelas duas maiores organizações criminosas em atuação na Bahia: o Bonde do Maluco (BDM) e o Comando Vermelho (CV).

Segundo apuração do CORREIO, os dados estão representados nas edições do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que, no último dia 18, indicou que as vítimas de homicídio doloso (quando há intenção de matar) tinham até 29 anos em 47,4% das Mortes Violentas Intencionais (MVI). O relatório pontuou ainda que pretos e pardos representam 78% de todos os registros de MVI.

O vídeo, produzido pela Setre e exibido em outras secretarias no segundo semestre de 2023, teve o apoio da Secretaria de Educação (SEC), do Centro Juvenil de Ciência e Cultura (CJCC), do Centro de Educação Especial da Bahia (CEEBA), da Associação Baiana Estudantil Secundarista (ABES) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). O objetivo foi coletar depoimentos de professores e estudantes para elaboração de projetos pedagógicos em mais 120 unidades de ensino do estado. Um dos temas foi a violência no ambiente escolar.

Em outro depoimento, a também professora do colégio Gricélia Cardoso opina como esses jovens foram cooptados pelo tráfico de drogas. “O que aconteceu com esses jovens, foi o envolvimento com as drogas, com álcool e a busca de dinheiro para comprar comida, roupa, sapato, para comprar algo para ter. Eles não conseguiram ser. Eles foram em busca de ter e, lamentavelmente, se envolveram com a violência”, diz ela, no vídeo.

A produção traz ainda o relato da estudante Márcia Verônica, de 18 anos. “É ruim saber que uma menina de 14 anos morreu e não pôde dançar a valsa dela. É ruim saber que um jovem de 18 anos não estudou, não cresceu, não fez nada da vida. Como ficam essas famílias? Eu vou criar meu filho, para quando ele chegar aos 17 anos, com o cabelo crespo, a pele negra, tomar um tiro no meio da rua? Eu não quero isso para o meu filho”, declara.