Prefeitura decreta emergência ambiental após contaminação na praia de São Tomé de Paripe
A Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência ambiental na região de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, após a identificação de contaminação por metais pesados e outras substâncias químicas. A medida, publicada na terça-feira (9), terá validade de 90 dias e busca acelerar ações de enfrentamento aos impactos registrados na área.
Segundo o município, análises técnicas realizadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) apontaram concentrações elevadas de metais como cobre, zinco e ferro em diferentes pontos da faixa litorânea. Os estudos também identificaram sinais de contaminação em organismos marinhos, especialmente ostras e outros moluscos encontrados na região.
De acordo com a prefeitura, os danos ambientais estariam relacionados a resíduos provenientes de atividades desenvolvidas por empresas que atuam na área portuária local. A conclusão tem como base investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia.
O prefeito Bruno Reis afirmou que o decreto permitirá ao município buscar apoio e recursos junto ao governo federal, além de fortalecer medidas voltadas à recuperação ambiental e à assistência das famílias afetadas. A gestão municipal informou que uma força-tarefa será criada para elaborar um plano de ação específico para a região.
O Inema acompanha o caso desde março, quando determinou a interdição de atividades em um terminal marítimo localizado na área. O órgão também notificou empresas envolvidas para adoção de medidas emergenciais de contenção e recuperação ambiental.
As análises realizadas em amostras de água, areia e organismos marinhos identificaram, além dos metais pesados, concentrações elevadas de compostos químicos como nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal. Os resultados reforçaram a recomendação para que a população evite contato com a água e com organismos coletados na região.
A praia permanece considerada imprópria para banho e para atividades recreativas que envolvam contato direto com a água. Novas sinalizações foram instaladas para alertar moradores e visitantes sobre os riscos.
A contaminação também afetou famílias que dependem da pesca e da mariscagem para geração de renda. Segundo a prefeitura, ações de assistência social vêm sendo realizadas desde o surgimento do problema, incluindo a distribuição de cestas básicas e outros auxílios.
As empresas citadas no processo divergem sobre a responsabilidade pela contaminação. Enquanto uma delas afirma que não há comprovação definitiva sobre a origem dos resíduos, também declarou estar disposta a colaborar com medidas de apoio à comunidade e com os custos das investigações.
O caso segue sendo acompanhado pelos órgãos ambientais, que ainda analisam estudos complementares para definir as medidas permanentes de recuperação da área afetada.