Homenagem a Lula no Carnaval do Rio provoca reações da direita e da esquerda
Grupo Especial, dividiu opiniões e ganhou repercussão política nacional
O desfile da Acadêmicos de Niterói, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gerou ampla repercussão política neste domingo (15), durante o Carnaval do Rio de Janeiro. A escola, fundada em 2018, estreou no Grupo Especial com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”.
A apresentação percorreu a trajetória do presidente desde a infância em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, passando pela migração para São Paulo, a atuação como líder sindical e a chegada ao Palácio do Planalto. A Comissão de Frente encenou momentos marcantes da vida política de Lula, incluindo a eleição presidencial e a transmissão de cargo à ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
O desfile também retratou episódios controversos da história recente do país. O ex-presidente Michel Temer (MDB) apareceu representado em uma alegoria associada à retirada da faixa presidencial de Dilma. Em outra cena, Lula foi retratado preso, seguido da entrega simbólica da faixa a um personagem caracterizado como o palhaço Bozo, referência amplamente associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula acompanhou o desfile diretamente da Marquês de Sapucaí, em um camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados.
Críticas da oposição
A homenagem foi duramente criticada por políticos ligados à Direita. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo de uma alegoria com um personagem usando tornozeleira eletrônica e afirmou que Lula foi preso por corrupção, destacando que se trata de “registro judicial”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou o desfile, afirmando que, se a apresentação tivesse ocorrido em 2022, haveria apreensões e punições à escola. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou um vídeo feito com inteligência artificial simulando um samba-enredo com críticas ao presidente.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também criticou a forma como eleitores conservadores foram retratados, alegando uso de recursos públicos para fins políticos. A deputada federal Carol de Toni (PL-SC) classificou o desfile como autopromoção e campanha antecipada.
Apoio de aliados
Por outro lado, aliados do presidente elogiaram a apresentação. O vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT) definiu o desfile como simbólico e destacou a crítica ao impeachment de 2016. O dirigente petista Décio Lima afirmou que a escola celebrou a luta e a dignidade do povo brasileiro.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, publicou uma foto ao lado de Chico Buarque e exaltou a cultura brasileira. Já a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, acompanhou o desfile e afirmou estar presenciando a história de um dos principais líderes do país.