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Redação 01 de Setembro, 2025
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Volkswagen do Brasil é condenada a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo durante ditadura

Justiça
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Redação 01 de Setembro, 2025

A Volkswagen do Brasil foi condenada pela Vara do Trabalho de Redenção, no Pará, a pagar R$ 165 milhões por danos morais coletivos decorrentes de práticas de trabalho análogas à escravidão em sua fazenda em Santana do Araguaia, nos anos 1970 e 1980, durante a ditadura militar.

A decisão, publicada na sexta-feira (29), atende a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), que moveu a ação civil pública contra a montadora. Além do pagamento, a Justiça determinou que a empresa reconheça publicamente sua responsabilidade e peça desculpas formais aos trabalhadores e à sociedade.

Segundo o MPT, essa é a maior condenação da história brasileira em casos de trabalho escravo e marca um precedente importante na responsabilização de grandes empresas por práticas ocorridas durante a ditadura.

A investigação revelou que mais de mil trabalhadores foram submetidos a jornadas exaustivas, alojamentos precários, vigilância armada, falta de água potável e violência física. Muitos ficaram presos à propriedade por dívida, sem poder manter contato com familiares.

“Nós ficávamos num barracão de lona, fazíamos nossa comida, bebíamos água do córrego. Com chuva, ficávamos só lá no mato mesmo, no serviço. Não podíamos sair, nem comunicar com nossa família”, disse um dos trabalhadores ouvidos pela Justiça, segundo informações do Infomoney.

Os trabalhadores eram recrutados de regiões distantes para a derrubada de mata nativa e abertura de pastos na Fazenda Vale do Rio Cristalino, uma das maiores propriedades da Volkswagen na Amazônia Legal.

Em nota, a empresa afirmou que analisará a decisão de primeira instância e pretende recorrer. A Volkswagen ressaltou que em seus 72 anos de atuação no país, cumpre rigorosamente as leis trabalhistas e defende a dignidade humana. “A Volkswagen reafirma seu compromisso inabalável com a responsabilidade social, que está intrinsecamente ligada à sua conduta como pessoa jurídica e empregadora”, disse a montadora.