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Redação 24 de Agosto, 2026
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Lobista cita gastos de R$ 100 mil com residência usada por Lulinha e ameaça cortar passagens

Política
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Redação 24 de Agosto, 2026

A Polícia Federal investiga um diálogo no qual a lobista Roberta Luchsinger teria relatado gastos de aproximadamente R$ 100 mil por mês com uma casa utilizada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (24), pelo Jornal Estadão.

A conversa, registrada em 2025, também menciona a possibilidade de interromper o pagamento de passagens aéreas para Lulinha. Segundo a transcrição analisada pela PF, Roberta teria contado ao empresário Cléber Ribas que conversou com Lulinha sobre as despesas relacionadas à residência. 

Confira o diálogo transcrito pela PF:

Roberta fala: “Bom dia, tudo bem? Deixa eu te falar, o Freitas paga quando? Aí será que ele não paga hoje não? Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio, aí vai pagar com o dinheiro do Freitas, tá foda”.

Ribas respondeu: Ele paga sempre dia 28, vou ver com ele aqui. Bom dia.

Roberta Luchsinger completa: “Se cê souber o que que o outro disse, eu fui cortar o negócio né, daí eu falei ‘ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de 100 mil, então assim, não vai dar mais pra ter essas passagens né’, ele falou ‘ah, eu vou ficar pedindo pro Cleber e pro Checon’, eu ri pra caramba, eu falei ué, eu falei ué, boa sorte pra você”.

A investigação não esclareceu qual imóvel foi mencionado no diálogo. Informações de um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária indicam que Roberta mantinha uma casa em Brasília, onde Lulinha teria se hospedado algumas vezes e que também teria sido utilizada para encontros e eventos com políticos.

O que dizem as defesas:

  • A defesa de Lulinha afirmou que a residência não pertence a ele e que se hospedava. “Fábio nunca foi sócio da Roberta e a própria Polícia Federal diz que não pode atestar que haja vínculo formal”.

 

  • Já a defesa de Roberta Luchsinger informou que não comentará o conteúdo do diálogo e citou o sigilo determinado no processo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

  • A defesa de Cléber Ribas também declarou que não pode se manifestar sobre supostas mensagens sem ter acesso aos dados da interceptação e ao conjunto da investigação. “Os vazamentos de trechos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses extratos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva”. 

O diálogo integra um inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Roberta, Lulinha e Ribas em contratos com a Dataprev e outros órgãos do governo federal. De acordo com a PF, há menções a Lulinha como possível destinatário de pagamentos e benefícios em troca de atuação para aproximar empresas de Ribas do governo. Os investigadores também apuram contratos de cerca de R$ 30 milhões firmados com o Ministério do Desenvolvimento Social.