Lula chega a 12 trocas ministeriais com saídas de Lupi e Cida Gonçalves
Das 12 alterações feitas até agora, nove foram substituições diretas e três realocações internas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 12 mudanças no primeiro escalão do governo em seu terceiro mandato, após as recentes saídas de Carlos Lupi (Previdência) e Cida Gonçalves (Mulheres).
Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência Social dez dias após vir à tona uma operação que revelou fraudes em descontos não autorizados em aposentadorias do INSS. Ele foi substituído pelo então secretário-executivo da pasta, Wolney Queiroz Maciel.
Já Cida Gonçalves foi exonerada do Ministério das Mulheres. Em seu lugar, foi nomeada Márcia Lopes, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no segundo mandato de Lula.
Das 12 alterações feitas até agora, nove foram substituições diretas e três realocações internas. Entre os ex-ministros que deixaram o governo estão o general Gonçalves Dias (GSI), Daniela Carneiro (Turismo), Ana Moser (Esporte), Silvio Almeida (Direitos Humanos), Paulo Pimenta (Secom), Nísia Trindade (Saúde) e Juscelino Filho (Comunicações).
Outros nomes foram remanejados: Márcio França (PSB) passou de Portos e Aeroportos para Empreendedorismo; Alexandre Padilha (PT) saiu da Secretaria de Relações Institucionais e assumiu a Saúde; e Flávio Dino trocou o Ministério da Justiça por uma cadeira no STF.
Mesmo com as trocas, o número ainda é inferior ao registrado no governo anterior. Jair Bolsonaro (PL) havia feito 16 mudanças ministeriais no mesmo período. Já Michel Temer (MDB) promoveu 32 trocas durante seus dois anos e sete meses de mandato.
A demissão de Lupi ocorreu mesmo sem provas de envolvimento direto no esquema de fraudes. Para o Planalto, pesou a omissão diante das denúncias e a falta de reação ao escândalo. Juscelino Filho, por sua vez, foi o primeiro a deixar o governo sob acusação formal de corrupção, ainda que relacionada a fatos anteriores ao mandato.
As substituições atuais fazem parte de uma reforma ministerial prometida por Lula no ano passado, com foco na reestruturação política visando as eleições de 2026. No entanto, as mudanças têm sido realizadas de forma lenta e pontual, refletindo dificuldades de articulação.
A saída de Paulo Pimenta da Secom iniciou a sequência de trocas, com Sidônio Palmeira assumindo a pasta. Nísia Trindade foi substituída por Padilha na Saúde, e Gleisi Hoffmann (PT) passou a comandar a Secretaria de Relações Institucionais.
A expectativa agora é de continuidade nas negociações para novas trocas no primeiro escalão, com o governo tentando equilibrar alianças partidárias, desempenho técnico e pressões políticas.
Ministros que deixaram o governo Lula
- General Gonçalves Dias: demitido do GSI (Gabinete de Segurança Institucional)
- Daniela Carneiro: demitida do Ministério do Turismo
- Ana Moser: demitida do Ministério do Esporte
- Márcio França: movido do Ministério de Portos e Aeroportos para o Empreendedorismo
- Flávio Dino: saiu do Ministério da Justiça para assumir cargo no STF (Supremo Tribunal Federal)
- Silvio Almeida: demitido do Ministério dos Direitos Humanos
- Paulo Pimenta: demitido da Secom (Secretaria de Comunicação Social)
- Nísia Trindade: demitida do Ministério da Saúde
- Alexandre Padilha: realocado da Secretaria de Relações Institucionais para o Ministério da Saúde
- Juscelino Filho: demitido do Ministério das Comunicações
- Carlos Lupi: demitido do Ministério da Previdência Social
- Cida Gonçalves: demitida do Ministério das Mulheres