PF investiga advogado por críticas a Lula e Janja após autorização de ministro da Justiça
A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar postagens do advogado pernambucano Thomas Crisóstomo com críticas e ironias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à primeira-dama Janja da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação foi autorizada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
O pedido partiu do próprio Ministério, que encaminhou à PF um ofício solicitando a análise das publicações feitas por Crisóstomo em 2023. O objetivo, segundo a investigação, é verificar se as manifestações configuram crimes contra a honra.
Em uma das postagens, o advogado pediu o impeachment de Moraes e afirmou que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) teria se tornado um cabide de emprego para “mulher do ex-presidiário”, em referência à primeira-dama Janja.
Ao jornal Folha de S.Paulo, o advogado classificou o inquérito como “absurdo” e disse que apenas exerceu o direito de crítica. “O Estado mobilizar tempo e recursos públicos para investigar tuítes com pouco alcance e nenhuma ofensa real”, disse Crisóstomo.
O Ministério da Justiça informou que não pode se manifestar sobre o caso, uma vez que o inquérito corre sob sigilo. Após a conclusão de uma investigação, o Ministério Público Federal (MPF) entendeu que o advogado cometeu crime de injúria contra o presidente Lula, por considerar ofensivo o uso do termo “ex-presidiário”.
A procuradora da República Polireda Madaly Bezerra de Medeiros ofereceu a possibilidade de acordo de não persecução penal. “A liberdade de expressão não pode ser utilizada como salvo conduto para autorizar a publicação de mensagens com claro cunho vexatório e atentatório à imagem de terceiros”, escreveu a procuradora da República.