Ruy Barbosa: ex-candidato fala em disputa política no próprio partido e problemas no município
O ex-candidato a prefeito de Ruy Barbosa, Marivaldo Leite (PSD) concedeu entrevista ao Se Ligue Bahia neste sábado (22), para falar sobre as eleições suplementares no município, que ocorrem no dia 6 de abril. A nova disputa acontece após a Justiça Eleitoral indeferir a candidatura do ex-prefeito José Bonifácio Marques Dourado, devido a irregularidades na prestação de contas em 2016. Marivaldo seria candidato pelo PSD, mas, por uma disputa interna com o ex-prefeito Cláudio Serrada, acabou ficando de fora da corrida eleitoral.
Com a divisão no grupo, Cláudio Serrada (PSD), lançou Dr. George Brito (PSD) como candidato. Segundo pesquisa da Painel Brasil, encomendada pela Band Bahia, a candidata Eridan de Bonifácio (MDB) lidera a corrida eleitoral com 64,25% das intenções de voto, enquanto Dr. George Brito aparece com 32,50%. Em entrevista, Marivaldo falou sobre o atual cenário político da cidade, sua posição nas eleições e possíveis futuros políticos.
Se Ligue Bahia – O município de Ruy Barbosa terá eleições suplementares no dia 6 de abril. O senhor é do PSD e já foi candidato pelo partido. No entanto, nessas eleições, o senhor está apoiando a candidata Eridan Bonifácio?
Marivaldo Leite – Não, estou mantendo neutralidade e utilizei minha rede social, mas agora como blogueiro, publico de ambos os lados. E cobro os serviços públicos, que a comunidade passa às vezes alguns problemas que precisam ser resolvidos imediatamente. Mas não estou apoiando nem o candidato Dr. George, nem a candidata Eridan.
Se Ligue Bahia – Como o senhor avalia o atual cenário político de Ruy Barbosa?
Marivaldo Leite – Olha, não sei se o senhor acompanhou, na nossa eleição nós tivemos muitas dificuldades, porque eu fui lançado pelo grupo, porque lançaram vários nomes em pesquisas e o meu nome sempre sobressaiu muito distante dos demais. Mas como eu não era o que o prefeito gostaria que fosse, ele acabou trabalhando muito na linha de faltar muitos serviços públicos para que eu desistisse e substituísse pelo pupilo dele, que seria o ex-presidente da câmara, mas teve divergência interna entre as lideranças, desta forma foi lançado Dr George. No final, houve até pedido de voto contrário, porque sabiam que o Bonifácio estava inelegível e assim teria uma outra eleição.
Portanto, a ideia seria lançar Lulu para Presidente da Câmara e Ney Dias Vice, assim o ex presidente disputaria a eleição Suplementar, mas houve divisão interna, e teve uma disputa dividida do grupo na câmara, na eleição da Câmara, ficando Ney Dias Presidente e Dr Robério Vice, que foi seis a cinco para o grupo do prefeito, foi uma eleição acirrada. Essa eleição vem com o povo querendo mudança muito grande. Mas nesta eleição a máquina está trabalhando com toda a força. Falta o serviço público, mas não falta o assistencialismo.
Na gestão de Cláudio, ele pagou meio salário aos servidores públicos durante um ano e três meses, meio salário mínimo. Foi uma coisa que empobreceu muito o povo, a cidade e criou um caos. A gestão vem tentando suprir todas essas necessidades, e a máquina está trabalhando como um rolo compressor. Se a eleição fosse hoje, eu apostaria que Eridan ganhava com muita folga. Mas com certeza a máquina vai pra cima, questão de vida ou morte. Só dia 06 de abril para o povo decidir.
Se Ligue Bahia – E sobre o partido, o senhor pretende continuar no PSD ou pensa em mudar de sigla?
Marivaldo Leite – No primeiro momento, não vou. Porque eu tenho um comércio, tenho minha roça, estou cuidando disso. A princípio, eu ficarei mais levando as demandas da população para o prefeito eleito e também as lideranças que puderem resolver questões de serviços públicos. A questão de partido, acho que no primeiro momento, não interfere de todas as formas.
Fiquei muito chateado como foi a eleição. Porque é normal perder um jogo, perder uma eleição. Isso faz parte de todo o processo. Do jeito que foi feito, é que chateou. Minha chateação não é com Otto [Alencar], com Eduardo [Alencar], com Otto Filho, com o Jerônimo. Foi apenas com o prefeito e com um grupo mais próximo a ele, da ponta mesmo da pirâmide, e isso deixa uma chateação.
Se Ligue Bahia – Caso a candidata Eridan vença e lhe convide para ocupar uma secretaria municipal, o senhor aceitaria?
Marivaldo Leite – Eu não tenho esse desejo de estar participando da gestão, nem de Eridan, nem de George. Poderia participar, mas até como conselheiro, sem remuneração, ou algo nesse sentido. Espero ter apenas acesso para demonstrar aquilo que as pessoas precisam fazer. Mas como secretário, acho muito difícil, acho que tem que dar uma renovada, colocar outras pessoas para que possam dar essa contribuição.
Se Ligue Bahia – O senhor tem interesse em se candidatar novamente no futuro?
Marivaldo Leite – Eleição 2026, com certeza não. Vou participar, como sempre participo, dando alguma ajuda a alguém que possa estar ajudando o município, a cidade, a população, o povo. 2028 está muito distante. A gente que foi candidato, que está ali no meio, nunca pode dizer que nunca mais será candidato. Mas, no momento, não passa isso pela minha cabeça. Pode ser que mude o contexto, que você esteja ali, no meio, apoiando, disputando ou apenas como apoio mesmo. Mas não tem nada assim definido.
Se Ligue Bahia – O senhor mencionou que a gestão pagou meio salário mínimo para os servidores públicos. Isso era de conhecimento de personalidades como Otto Alencar e Jerônimo Rodrigues?
Marivaldo Leite – Olha, ele começou a pagar em outubro de 2023. Logo após, o senador ter dito que eu seria o candidato do grupo. Em setembro, no mês seguinte, ele cortou o salário dos servidores, o que seria três meses. Esses três meses foram até o final de 2024. Do senador, sim, veio o deputado Eduardo [Alencar] e ele falava sempre, e ele ia sempre na linha de que não tinha recurso, mas não é que não tinha recurso. Era mesmo para fazer com que eu desistisse da candidatura e me pressionando muito. Eu falei que não tinha problema, era só ele ir para a rádio e dizer que não queria meu nome, que eu desistia e ele colocava quem ele queria. Mas eu desistir por covardia não existia essa possibilidade. Então, suspendeu, a máquina parou em 2024. Tudo que você imaginava, iluminação pública, estrada, cortes no centro de atendimento médico, medicamentos, uma coisa muito sabotada, muito premeditada.