Bahia é o terceiro estado com mais casos de fotos sexuais criadas por IA em escolas, aposta estudo
Levantamento da SaferNet identifica 16 ocorrências em 10 estados, com 72 vítimas adolescentes
A Bahia ocupa o terceiro lugar no ranking de estados brasileiros com maior número de casos de imagens sexuais criadas por inteligência artificial (IA) em ambientes escolares, segundo levantamento divulgado pela SaferNet Brasil nesta terça-feira (7). O estudo aponta 16 ocorrências em 10 estados, com pelo menos 72 vítimas adolescentes.
O relatório integra o estudo “Uso indevido de IA generativa: perspectivas sobre riscos e danos centradas nas crianças”, realizado pela SaferNet com apoio do Unicef e do Safe Online Fund. O objetivo é compreender e combater o avanço desse novo tipo de violência digital, além de promover educação e conscientização entre adolescentes, professores e comunidades escolares.
De acordo com os dados, São Paulo (37) e Rio Grande do Sul (16) concentram a maior parte dos registros, seguidos pela Bahia, com 17 vítimas identificadas.
As imagens sexuais produzidas com IA generativa utilizam algoritmos para criar montagens falsas que simulam nudez ou cenas íntimas a partir de fotos, vídeos ou áudios reais, sem consentimento. Esse tipo de conteúdo tem sido utilizado para exposição, humilhação e chantagem, afetando principalmente meninas em idade escolar.
Casos registrados na Bahia
Em setembro de 2024, estudantes do Colégio Militar de Salvador (CMS) foram vítimas de montagens pornográficas criadas por outros alunos. As imagens recortavam o rosto das meninas e o aplicavam em corpos nus, sendo inclusive vendidas e compartilhadas em sites pornográficos.
Ao menos 15 alunas do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental II e do 1º ano do Ensino Médio foram identificadas entre as vítimas. O CMS informou, por meio de nota, que os fatos estavam sendo apurados por processo administrativo para identificar os responsáveis e esclarecer as irregularidades.
No mesmo mês, uma jovem de 18 anos teve imagens íntimas falsas criadas por IA e divulgadas nas redes sociais. A vítima, que mora em Salvador, relatou que uma foto tirada no banheiro de sua casa foi alterada digitalmente para simular nudez.
Ela registrou ocorrência na 3ª Delegacia Territorial (Bonfim), após inicialmente ter o registro negado por não identificar o autor. O caso foi enquadrado como crime de difamação cometido contra mulher em ambiente digital.