Sindicato dos Policiais Penais repudia declarações do secretário José Castro ao programa Alô Juca
Entidade diz que sistema prisional é sucateado e contesta afirmação de que fugas ocorrem “sempre por facilitação”
O Sindicato dos Policiais Penais e Servidores Penitenciários da Bahia (SINPPSPEB) divulgou uma nota de repúdio contra as declarações do secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado, José Castro. Em entrevista ao programa “Alô Juca”, o secretário afirmou que as unidades prisionais não apresentam falhas estruturais e que fugas registradas no sistema ocorrem “sempre por facilitação”.
Em trecho da nota, o sindicato afirma que as declarações do gestor são “falas irresponsáveis e caluniosas”. O documento rebate a fala sobre inexistência de problemas nas unidades prisionais: “Boa parte das unidades está gravemente sucateada, como mostram imagens divulgadas pela imprensa”.
A entidade aponta falta de videomonitoramento, ausência de telamento aéreo para evitar arremessos de objetos para dentro dos presídios e guaritas e passarelas sem vigilância. Além disso, o sindicato critica o déficit de pessoal. Segundo a nota, o Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias recomenda uma proporção de um policial penal para cada cinco presos, mas essa realidade estaria longe de ser cumprida na Bahia.
“O déficit de efetivo é absurdo e vergonhoso”, destaca o texto, que também afirma que a gestão atual não avançou na Lei Orgânica da Polícia Penal, instrumento apontado como essencial para a reorganização do setor.
O documento cita ainda um episódio no Conjunto Penal de Feira de Santana, onde um policial teria sido afastado após uma fuga. O sindicato afirma que o servidor estava sozinho, responsável por seis pavilhões e mais de mil internos, e classificou a medida como injusta: “É pôr a culpa dos problemas do sistema em quem é vítima dele”.
A pasta exigiu ainda uma retratação pública do secretário: “Os Policiais Penais são profissionais íntegros e arriscam suas vidas para proteger a população baiana”.