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Alexandre Galvão 04 de Janeiro, 2025
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Republicanos “pega fogo” após eleição, e Ireuda passa por “Tia Eronildização”

Política
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Alexandre Galvão 04 de Janeiro, 2025

Desde que as urnas de 2024 foram abertas, o clima no Republicanos de Salvador não é dos melhores. O partido, umbilicalmente ligado à poderosíssima Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), perdeu votos na capital, deu mais atenção a determinados quadros e viu ex-integrantes levarem parte do seu espólio eleitoral — até então tido como intocável.

Soma-se a essa profusão de coisas a retirada, a fórceps, da vereadora Ireuda Silva da Mesa Diretora da Câmara para dar lugar ao neófito Kel Torres. A mudança foi tão mal recebida que o presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), num ato de sincericídio, disse que a troca “infelizmente” aconteceu.

Aos fatos:

1.Com sua base eleitoral focada na igreja, o Republicanos, sob a gestão Bruno Reis (UB), comandou também as obras de Salvador. Mesmo com duas “Ferraris” eleitorais (obreiros e obras), saiu das urnas em 2024 com 3.606 votos a menos que em 2020.

2.Dos seus quadros, apenas Luiz Carlos — um dos principais líderes do partido no estado — cresceu em votos: 2.323 a mais. Ainda assim, aquém do que se esperava.

3.Júlio Santos, pastor e vereador, manteve, curiosamente, a mesma votação de 2020: 8.810 votos.

4.Ao passo que Luiz Carlos cresceu, Ireuda, vereadora da legenda, perdeu 2.373 votos. Especula-se que a igreja fez uma “migração” de votos para fortalecer Luiz Carlos.

5.Isnard Araújo, ex-vereador com apoio da IURD, rompeu com a congregação, mas tirou 3.555 votos do grupo.

Ireuda — Contrariada após ser retirada da Mesa Diretora, a vereadora, ao Se Ligue Bahia, disse ter sido pega de surpresa. Lamentou, ainda, que sua ausência representasse uma diminuição da representatividade negra e feminina naquele espaço de poder.

No desenrolar da sessão para eleição da mesa, Ireuda e Luiz Carlos conversaram intensamente. Muniz, que estava próximo, também participou da discussão. Pelo que se comenta, Ireuda passa por um processo semelhante ao que aconteceu com Tia Eron, ex-deputada federal, que votou a favor da cassação de Eduardo Cunha (MDB-RJ), contra a orientação do partido, bradou que “ninguém manda nesta nega” e, politicamente, desapareceu.