Site que reunia conversas de Vorcaro e Wagner é retirado do ar após ação do PT da Bahia
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retirada do ar do MasterWhats, plataforma que reunia mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (21), após uma ação apresentada pela Coligação Mais Bahia, Mais Brasil, da qual faz parte o senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT).
O juiz Isaías Vinícius de Castro Simões concedeu parcialmente o pedido de liminar e considerou que parte do conteúdo divulgado apresentava conversas artificiais que poderiam induzir eleitores ao erro.
A decisão determinou que o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) suspendesse o conteúdo. Caso a retirada individual não fosse possível, o domínio recomendeme.com.br deveria ser bloqueado. O titular do endereço, Lucas Matheus Alves da Silva, também foi incluído no processo e deverá ser citado.
Desenvolvedor afirma que não foi comunicado previamente
Lucas Matheus Alves da Silva afirmou que não recebeu intimação ou comunicação antes do bloqueio. Segundo ele, a situação foi descoberta após contato com a Hostinger, empresa responsável pela hospedagem do site.
Em publicação nas redes sociais, o desenvolvedor declarou que o MasterWhats tinha como finalidade organizar informações que já haviam sido divulgadas pela imprensa e pela Polícia Federal.
Segundo Silva, a decisão também afetou o RecomendeMe, plataforma voltada para recomendações de filmes, séries e músicas e que, de acordo com ele, não possui relação com o conteúdo questionado na ação.
O MasterWhats reunia mais de 65 mil mensagens e permitia pesquisas por nomes de autoridades e outras pessoas citadas nos conteúdos. Ainda segundo o responsável pela plataforma, o site alcançou cerca de 1,5 milhão de acessos em 15 dias.
Defesa de Jaques Wagner diz que pediu retirada apenas de conteúdo falso
Em nota, a defesa de Jaques Wagner afirmou que a ação tinha como objetivo exclusivamente retirar do ar conteúdos que atribuiriam ao senador conversas falsas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo os advogados, outros materiais envolvendo diferentes personagens também foram retirados, embora não fossem alvo do pedido apresentado à Justiça Eleitoral.
A defesa informou que, ao tomar conhecimento de que a medida havia atingido conteúdos além dos questionados, solicitou a desistência da ação. Entretanto, naquele momento, os materiais já haviam sido retirados do ar.
Os advogados reforçaram que a iniciativa teve como finalidade impedir a divulgação de conversas que, segundo a defesa, nunca ocorreram entre Jaques Wagner e Lula, e afirmaram que o senador defende o acesso a informações verdadeiras e de interesse público.