Vazamento na tubulação da adutora do Zabumbão expõe desperdício de água e questiona decisão do governo Rui Costa
Um novo rompimento na tubulação da adutora do Zabumbão trouxe à tona o debate sobre a viabilidade da ampliação do sistema de abastecimento no Vale do Paramirim, no sudoeste da Bahia. O vazamento, registrado em vídeo por um motorista e divulgado neste domingo (22), pelo vereador Anselmo Caires (PSD), ocorreu em Macaúbas, nas proximidades do Aeroporto Selma Nunes, e mostra grande volume de água sendo desperdiçado.
Nas redes sociais, o edil questionou a qualidade da obra e cobrou providências das autoridades estaduais. “Enquanto milhares de litros de água são desperdiçados, a entrega da fatura não atrasa um dia sequer. Não culpo os técnicos, porque só obedecem ordens, mas é inadmissível que isso continue acontecendo sem qualquer providência efetiva”, escreveu o vereador.
A adutora integra o sistema de ampliação da Barragem do Zabumbão, construída para reforçar o abastecimento na região. A decisão de expandir a distribuição de água para novos municípios foi tomada durante a gestão do então governador Rui Costa (PT), com o objetivo de atender nove cidades que somam cerca de 158 mil habitantes em uma área de 9,6 mil km².
Críticos do projeto argumentam que a capacidade do reservatório, de 60,9 milhões de metros cúbicos, com captação de 80,5 litros por segundo, já atende aproximadamente 56 mil pessoas e opera, em determinados períodos, com cerca de 50% do volume. Para eles, ampliar o fornecimento sem garantia de recarga regular por meio das chuvas pode representar risco de desabastecimento generalizado.
Em 2021, moradores de Paramirim, Caturama, Botuporã, Tanque Novo e Érico Cardoso realizaram protestos contra a ampliação do sistema para beneficiar também Macaúbas, Ibipitanga, Ibitiara, Oliveira dos Brejinhos e Boquira. A principal preocupação era a redução do volume disponível para as cidades já atendidas.
Segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o controle da vazão é feito pelo Comitê da Bacia do Rio Paramirim em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), enquanto o abastecimento humano é de responsabilidade da Empresa Baiana de Águas e Saneamento.
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), responsável pelo uso da água para consumo humano, informou em nota enviada ao Se Ligue Bahia, que o vazamento foi contido após o desligamento da rede. De acordo com a empresa, o vazamento ocorreu devido às fortes chuvas e dificuldades de acesso ao local e que a previsão de conclusão de reparo está para esta terça-feira (24).