Alvo da PF em esquema do PCC, empresa fez estudos para governo da Bahia
Alvo ontem (28) de uma operação da Polícia Federal que atingiu a gestão de patrimônio do Primeiro Comando da Capital (PCC), a Reag mantém negócios com o governo da Bahia.
Segundo apuração do Se Ligue Bahia, desde o governo Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil do presidente Lula, a empresa está envolvida em uma suposta construção do novo Centro de Convenções. O projeto nunca saiu do papel, mas a empresa foi autorizada pela gestão estadual a desenvolver os estudos para o financiamento, juntamente com um complexo de negócios. A obra seria feita no modelo de Parceria Público-Privada (PPP), com estimativa de investimento de R$ 400 milhões.
Em 2017, o site da Secretaria de Comunicação do Estado detalhou a negociação entre o governo e a Reag: “Dentre as deliberações consta autorização para a empresa Reag Gestora de Recursos desenvolver estudos de estruturação de um Fundo de Investimento em Participação (FIP) destinado à construção e operação do novo Centro de Convenções da Bahia, juntamente com um complexo de negócios. A referida empresa é autora de uma Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada e desenvolverá esses estudos por conta e risco, sem custos ao Estado”, diz o texto.
Oito anos depois, a proposta segue em tramitação no governo estadual, agora sob o comando de Jerônimo Rodrigues. De acordo com o jornal A Tarde, o equipamento deve ser instalado na área do Parque de Exposições, na Avenida Paralela.
Reag e o PCC – A Reag Investimentos, maior gestora independente listada na B3, com cerca de R$ 299 bilhões sob gestão, teve papel central no esquema identificado pela operação “Carbono Oculto”. O PCC teria utilizado fundos de investimento — entre eles administrados pela Reag — para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos. Esses fundos foram empregados na compra de caminhões, usinas de etanol, imóveis, fazendas e até um terminal portuário, configurando um sofisticado sistema de blindagem patrimonial.
A operação apontou que administradoras de fundos e fintechs, incluindo a Reag, estariam involuntária ou conscientemente envolvidas no esquema. A Receita Federal afirmou que essas entidades contribuíram para a engrenagem criminosa, organizando fundos fechados com cotistas únicos que facilitavam a ocultação de recursos do PCC.
Em nota, a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) informou que não existe nenhum estudo aprovado pelo órgão envolvendo a Reag e que não tem qualquer relação com a empresa.
